Instrução Normativa RFB nº 934, de 27.04.2009
DOU de 29.04.2009
Dispõe sobre o regime
especial de tributação aplicável às incorporações imobiliárias e sobre o
pagamento unificado de tributos aplicável às construções de unidades
habitacionais contratadas no âmbito do Programa Minha Casa, Minha Vida.
A SECRETÁRIA DA RECEITA
FEDERAL DO BRASIL no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art.
261 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil,
aprovado pela Portaria MF nº 125, de
4 de março de 2009, e tendo em vista o disposto
nas Leis nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, e
nº 10.931, de 2 de agosto de 2004, no art. 111
da Lei nº 11.196, de 21
de
novembro de 2005, e nas Medidas Provisórias nº
459, de 25 de março de 2009, e nº 460, de 30 de
março de 2009,
Resolve:
Seção I
Do Regime Especial de Tributação
Art. 1º
O Regime Especial de
Tributação (RET) aplicável às incorporações imobiliárias, instituído pelo
art. 1º da Lei nº 10.931, de
2 de agosto de 2004, tem caráter opcional e irretratável enquanto
perdurarem direitos de crédito ou obrigações do incorporador junto aos
adquirentes dos imóveis que compõem a incorporação.
§ 1º Para efeito do
disposto no caput, considera-se:
I - incorporador, a
pessoa física ou jurídica que, embora não efetuando a construção,
compromisse ou efetive a venda de frações ideais de terreno objetivando a
vinculação de tais frações a unidades autônomas, em edificações a serem
construídas ou em construção sob regime condominial, ou que meramente aceite
propostas para efetivação de tais transações, coordenando e levando
a termo a incorporação e responsabilizando-se,
conforme o caso, pela entrega, a certo prazo, preço e determinadas
condições, das obras concluídas; e
II - incorporação
imobiliária, a atividade exercida com o intuito de promover e realizar a
construção, para alienação total ou parcial, de edificações ou conjunto de
edificações compostas de unidades autônomas.
§ 2º Estende-se a
condição de incorporador aos proprietários e titulares de direitos
aquisitivos que contratem a construção de edifícios que se destinem à
constituição em condomínio, sempre que iniciarem as alienações antes da
conclusão das obras.
§ 3º Presume-se a vinculação entre a alienação das frações do terreno e o negócio de construção, se, ao ser contratada a venda, ou promessa de venda ou de cessão das frações de terreno, já houver sido aprovado e estiver em vigor, ou pender de aprovação de autoridade administrativa, o respectivo projeto de construção, respondendo o alienante como incorporador.
Art. 2º
A opção da incorporação
imobiliária no RET, de que trata o art. 1º, será considerada efetivada
quando atendidos os seguintes requisitos, a serem efetuados pela ordem em
que estão descritos:
I - afetação do terreno
e das acessões objeto da incorporação imobiliária nos termos dos
arts. 31-A a 31-E da
Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964;
II - inscrição de cada
"incorporação afetada" no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ),
vinculada ao evento 109 - Inscrição de Incorporação Imobiliária - Patrimônio
de Afetação; e
III - apresentação do
Termo de Opção pelo RET à Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) ou à
Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat)
com jurisdição sobre o estabelecimento matriz da pessoa jurídica.
§ 1º O Termo de Opção de
que trata o inciso III deverá ser entregue na unidade da Secretaria da
Receita Federal do Brasil (RFB) a que estiver jurisdicionada a matriz da
pessoa jurídica incorporadora, mesmo quando a incorporação, objeto de opção
pelo RET, estiver localizada fora da jurisdição dessa unidade da RFB.
§ 2º Para efeito do
disposto no § 1º, o Termo de Opção pelo RET deverá estar acompanhado do
termo de constituição de patrimônio de afetação da incorporação, firmado
pelo incorporador e, quando for o caso, também pelos titulares de direitos
reais de aquisição, e averbado no Cartório de Registro
de Imóveis.
§ 3º Para fins do disposto neste artigo, será utilizado o formulário "Termo de Opção pelo Regime Especial de Tributação", constante do Anexo Único a esta Instrução Normativa, disponível no sítio da RFB na Internet no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>.
Art. 3º
O terreno e as acessões
objeto da incorporação imobiliária sujeita ao
RET, bem como os demais bens e direitos a ela vinculados, não responderão
por dívidas tributárias da incorporadora relativas ao Imposto sobre a Renda
da Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido
(CSLL), à Contribuição para o PIS/Pasep e à Contribuição para o
Financiamento da Seguridade Social (Cofins),
exceto as calculadas na forma do art. 4º sobre as receitas recebidas no
âmbito da respectiva incorporação.
Parágrafo único. O patrimônio da incorporadora responderá pelas dívidas tributárias da incorporação afetada.
Art. 4º
Para cada incorporação
submetida ao RET, a incorporadora ficará sujeita
ao pagamento mensal equivalente a 6% (seis por cento) das receitas mensais
recebidas, o qual corresponderá ao pagamento unificado de:
I - IRPJ;
II - CSLL;
III - Contribuição para
o PIS/Pasep; e
IV -
Cofins.
§ 1º O pagamento mensal
equivalente a 6% (seis por cento) das receitas mensais recebidas de que
trata o caput aplica-se a partir de 31 de março de 2009, inclusive em
relação à incorporação já submetida ao RET anteriormente.
§ 2º Até 31 de dezembro
de 2013, para os projetos de incorporação de imóveis residenciais de
interesse social, cuja construção tenha sido iniciada a partir de 31 de
março de 2009, o percentual correspondente ao pagamento unificado dos
tributos de que trata o caput será equivalente a 1% (um por cento) da
receita mensal recebida.
§ 3º Para efeito do
disposto no § 2º consideram-se projetos de incorporação de imóveis de
interesse social os destinados à construção de unidades residenciais de
valor comercial de até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) no âmbito do
Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV), de que trata
a Medida Provisória nº 459, de 25 de março de
2009.
§ 4º A opção da
incorporação no RET obriga o contribuinte a efetuar o recolhimento dos
tributos, na forma do caput, a partir do mês da opção.
§ 5º Para fins do
disposto no caput, considera-se receita mensal o total das receitas
recebidas pela incorporadora com a venda de unidades imobiliárias que
compõem cada incorporação submetida ao RET, bem como, as receitas
financeiras e "variações monetárias" decorrentes dessa operação.
§ 6º Do total das
receitas recebidas, de que trata o § 5º, poderão ser deduzidas as vendas
canceladas, as devoluções de vendas e os descontos incondicionais
concedidos.
§ 7º As demais receitas
recebidas pela incorporadora, relativas às atividades da incorporação
submetida ao RET, serão tributadas na incorporadora.
§ 8º O disposto no § 7º
aplica-se inclusive às receitas recebidas pela incorporadora, decorrentes da
aplicação dos recursos da incorporação submetida ao RET no mercado
financeiro.
§ 9º Os créditos tributários devidos pela incorporadora na forma do disposto no caput e § 2º não poderão ser objeto de parcelamento.
Art. 5º
Observado o disposto no
art. 8º, o pagamento do IRPJ e das contribuições, na forma do caput
do art. 4º, será considerado definitivo, não gerando, em qualquer hipótese,
direito à restituição ou à compensação com o que for apurado pela
incorporadora.
§ 1º As receitas, custos
e despesas próprios da incorporação, sujeitos à tributação na forma do art.
4º, não deverão ser computados na apuração das bases de cálculo do IRPJ e
das contribuições, devidos pela incorporadora, em virtude de suas demais
atividades empresariais, inclusive incorporações não afetadas.
§ 2º Para fins do disposto no § 1º, os custos e despesas indiretos pagos no mês serão apropriados a cada incorporação na mesma proporção representada pelos custos diretos próprios da incorporação, em relação ao custo direto total da incorporadora, assim entendido como a soma de todos os custos diretos de todas as incorporações e o de outras atividades exercidas pela incorporadora.
Art. 6º
Para fins de repartição
de receita tributária, do percentual de 6% (seis por cento) de que trata o
caput do art. 4º serão considerados:
I - 2,57% (dois inteiros
e cinquenta e sete centésimos por cento) como
Cofins;
II - 0,56% (cinquenta
e seis centésimos por cento) como Contribuição para o PIS/Pasep;
III - 1,89% (um inteiro
e oitenta e nove centésimos por cento) como IRPJ; e
IV - 0,98% (noventa e
oito centésimos por cento) como CSLL.
Parágrafo único. Do
percentual de 1% (um por cento) de que trata o § 2º do art. 4º serão
considerados para fins de repartição de receita tributária:
I - 0,44% (quarenta e
quatro centésimos por cento) como Cofins;
II - 0,09% (nove
centésimos por cento) como Contribuição para o PIS/Pasep;
III - 0,31% (trinta e um
centésimos por cento) como IRPJ; e
IV - 0,16% (dezesseis centésimos por cento) como CSLL.
Art. 7º
O pagamento unificado do
IRPJ e das contribuições, na forma do § 2º e do caput do art. 4º,
deverá ser efetuado até o 10º (décimo) dia do mês
subsequente àquele em que houverem sido recebidas as receitas.
§ 1º Para fins do
disposto no caput, a incorporadora deverá utilizar no Documento de
Arrecadação de Receitas Federais (Darf), o número específico de inscrição da
incorporação objeto de opção pelo RET no CNPJ e o código de arrecadação:
I - 4095, no caso de
pagamento unificado na forma do caput do art. 4º;
e
II - 1068, no caso de
pagamento unificado na forma do § 2º do art. 4º.
§ 2º Na hipótese de o 10º (décimo) dia do mês subsequente àquele em que houverem sido recebidas as receitas recair em dia considerado não-útil, o pagamento de que trata o caput deverá ser feito no 1º (primeiro) dia útil subsequente.
Art. 8º
No caso de a pessoa
jurídica estar amparada pela suspensão da exigibilidade do crédito
tributário, nas hipóteses a que se referem os incisos II, IV e V do art. 151
da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 -
Código Tributário Nacional (CTN), ou por sentença judicial transitada em
julgado, determinando a suspensão do pagamento do IRPJ ou de qualquer das
contribuições referidas nesta Instrução Normativa, a incorporadora deverá
calcular, individualmente, os valores do IRPJ e das contribuições
considerados devidos pela incorporação sujeita ao RET, aplicando-se as
alíquotas correspondentes, relacionadas no art. 6º, e efetuar o recolhimento
em Darf distintos para cada um deles, utilizando-se os seguintes códigos de
arrecadação:
I - 4112 - para IRPJ;
II - 4153 - para CSLL;
III - 4138 - para a
Contribuição para o PIS/Pasep; e
IV - 4166 - para a Cofins.
Art. 9º
O incorporador fica
obrigado a manter escrituração contábil segregada para cada incorporação
submetida ao RET.
§ 1º A escrituração
contábil das operações da incorporação objeto de opção pelo RET poderá ser
efetuada em livros próprios ou nos da incorporadora, sem prejuízo das normas
comerciais e fiscais aplicáveis à incorporadora em relação às operações da
incorporação.
§ 2º Na hipótese de adoção de livros próprios para cada incorporação objeto de opção no RET, a escrituração contábil das operações da incorporação poderá ser efetivada mensalmente na contabilidade da incorporadora, mediante registro dos saldos apurados nas contas relativas à incorporação.
Art. 10.
Caso não se verifique o
pagamento das obrigações tributárias, previdenciárias e trabalhistas,
vinculadas ao respectivo patrimônio de afetação, cujos fatos geradores
tenham ocorrido até a data da decretação da falência, ou insolvência do
incorporador, perde eficácia a deliberação pela
continuação da obra a que se refere o § 1º do art. 31-F da Lei
nº 4.591, de 1964, bem como os efeitos do regime
de afetação instituídos pela Lei nº 10.931, de
2004.
Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, as obrigações tributárias previdenciárias e trabalhistas, vinculadas ao respectivo patrimônio de afetação, deverão ser pagas pelos adquirentes em até 1 (um) ano da deliberação pela continuação da obra, ou até a data da concessão do habite-se, se esta ocorrer em prazo inferior.
Art. 11.
O disposto no art. 76 da
Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto
de 2001, não se aplica ao patrimônio de afetação de incorporações
imobiliárias definido pela Lei nº 4.591, de
1964.
Seção II
Do Pagamento Unificado de Tributos aplicável às Construções no âmbito do PMCMV
Art. 12.
Até 31 de dezembro de
2013, a empresa construtora contratada para construir unidades habitacionais
de valor comercial de até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) no âmbito do
Programa Minha Casa, Minha Vida - PMCMV, de que trata a Medida Provisória
nº 459, de 2009, fica
autorizada, em caráter opcional, a efetuar o pagamento unificado de tributos
equivalente a 1% (um por cento) da receita mensal auferida pelo contrato de
construção.
§ 1º O pagamento mensal
unificado de que trata o caput corresponderá aos seguintes tributos:
I - IRPJ;
II - Contribuição para o
PIS/Pasep;
III - CSLL; e
IV -
Cofins.
§ 2º O pagamento dos
impostos e contribuições na forma do disposto no caput será
considerado definitivo, não gerando, em qualquer hipótese, direito à
restituição ou à compensação com o que for apurado pela construtora.
§ 3º As receitas, custos
e despesas próprios da construção sujeitos a tributação na forma deste
artigo não deverão ser computados na apuração das bases de cálculo dos
impostos e contribuições de que trata o § 1º, devidos pela construtora em
virtude de suas outras atividades empresariais.
§ 4º Para fins de
repartição de receita tributária, o percentual de 1% (um por cento) de que
trata o caput será considerado:
I - 0,44% (quarenta e
quatro centésimos por cento) como Cofins;
II - 0,09% (nove
centésimos por cento) como Contribuição para o PIS/Pasep;
III - 0,31% (trinta e um
centésimos por cento) como IRPJ; e
IV - 0,16% (dezesseis
centésimos por cento) como CSLL.
§ 5º O disposto nesta
Seção somente se aplica às construções iniciadas a partir de 31 de março de
2009.
§ 6º As demais receitas recebidas pela construtora serão tributadas conforme regime de tributação adotado pela pessoa jurídica.
Art. 13.
O pagamento unificado de
tributos efetuado na forma do art. 12 deverá ser feito até o 10º (décimo)
dia do mês subsequente àquele em que houver sido
auferida a receita.
§ 1º O pagamento de que
trata o caput deve ser efetuado no código de arrecadação 1068.
§ 2º Na hipótese de o 10º (décimo) dia do mês subsequente àquele em que houverem sido recebidas as receitas recair em dia considerado não-útil, o pagamento de que trata o caput deverá ser feito no 1º (primeiro) dia útil subsequente.
Art. 14.
No caso de a pessoa
jurídica estar amparada pela suspensão da exigibilidade do crédito
tributário, nas hipóteses a que se referem os incisos II, IV e V do art. 151
da Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário
Nacional (CTN), ou por sentença judicial transitada em julgado, determinando
a suspensão do pagamento do IRPJ ou de qualquer das contribuições referidas
nesta Instrução Normativa, a incorporadora deverá calcular, individualmente,
os valores do IRPJ e das contribuições considerados devidos pela construção
com opção pelo regime de pagamento unificado de tributos aplicável às
construções no âmbito do PMCMV, aplicando-se as alíquotas correspondentes,
relacionadas nos incisos do § 4º do art. 12, e efetuar o recolhimento em
Darf distintos para cada um deles, utilizando-se os seguintes códigos de
arrecadação:
I - 4112 - para IRPJ;
II - 4153 - para CSLL;
III - 4138 - para a
Contribuição para o PIS/Pasep; e
IV - 4166 - para a Cofins.
Art. 15.
A
construtora deverá manter escrituração contábil destacada para cada
construção, possibilitando a identificação das receitas, custos e despesas
relativos a cada construção sujeita ao pagamento unificado.
Parágrafo único. A construtora sujeita a tributação com base no lucro presumido deverá manter registro destacado para a identificação das receitas relativas a cada construção sujeita ao pagamento unificado.
Art. 16. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 17.
Fica revogada a
Instrução Normativa SRF nº 689, de 13 de
novembro de 2006.
LINA MARIA VIEIRA