LEI Nº 12.594, DE 18 DE JANEIRO DE 2012.
Mensagem de veto
Vigência
Institui o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), regulamenta
a execução das medidas socioeducativas destinadas a adolescente que pratique ato
infracional; e altera as Leis nos 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da
Criança e do Adolescente); 7.560, de 19 de dezembro de 1986, 7.998, de 11 de
janeiro de 1990, 5.537, de 21 de novembro de 1968, 8.315, de 23 de dezembro de
1991, 8.706, de 14 de setembro de 1993, os Decretos-Leis nos 4.048, de 22 de
janeiro de 1942, 8.621, de 10 de janeiro de 1946, e a Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943.
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu
sanciono a seguinte Lei:
TÍTULO I
DO SISTEMA NACIONAL DE ATENDIMENTO SOCIOEDUCATIVO (Sinase)
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 1o Esta Lei institui o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo
(Sinase) e regulamenta a execução das medidas destinadas a adolescente que
pratique ato infracional.
§ 1o Entende-se por Sinase o conjunto ordenado de princípios, regras e critérios
que envolvem a execução de medidas socioeducativas, incluindo-se nele, por
adesão, os sistemas estaduais, distrital e municipais, bem como todos os planos,
políticas e programas específicos de atendimento a adolescente em conflito com a
lei.
§ 2o Entendem-se por medidas socioeducativas as previstas no art. 112 da Lei no
8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), as quais
têm por objetivos:
I - a responsabilização do adolescente quanto às consequências lesivas do ato
infracional, sempre que possível incentivando a sua reparação;
II - a integração social do adolescente e a garantia de seus direitos
individuais e sociais, por meio do cumprimento de seu plano individual de
atendimento; e
III - a desaprovação da conduta infracional, efetivando as disposições da
sentença como parâmetro máximo de privação de liberdade ou restrição de
direitos, observados os limites previstos em lei.
§ 3o Entendem-se por programa de atendimento a organização e o funcionamento,
por unidade, das condições necessárias para o cumprimento das medidas
socioeducativas.
§ 4o Entende-se por unidade a base física necessária para a organização e o
funcionamento de programa de atendimento.
§ 5o Entendem-se por entidade de atendimento a pessoa jurídica de direito
público ou privado que instala e mantém a unidade e os recursos humanos e
materiais necessários ao desenvolvimento de programas de atendimento.
Art. 2o O Sinase será coordenado pela União e integrado pelos sistemas
estaduais, distrital e municipais responsáveis pela implementação dos seus
respectivos programas de atendimento a adolescente ao qual seja aplicada medida
socioeducativa, com liberdade de organização e funcionamento, respeitados os
termos desta Lei.
CAPÍTULO II
DAS COMPETÊNCIAS
Art. 3o Compete à União:
I - formular e coordenar a execução da política nacional de atendimento
socioeducativo;
II - elaborar o Plano Nacional de Atendimento Socioeducativo, em parceria com os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios;
III - prestar assistência técnica e suplementação financeira aos Estados, ao
Distrito Federal e aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas;
IV - instituir e manter o Sistema Nacional de Informações sobre o Atendimento
Socioeducativo, seu funcionamento, entidades, programas, incluindo dados
relativos a financiamento e população atendida;
V - contribuir para a qualificação e ação em rede dos Sistemas de Atendimento
Socioeducativo;
VI - estabelecer diretrizes sobre a organização e funcionamento das unidades e
programas de atendimento e as normas de referência destinadas ao cumprimento das
medidas socioeducativas de internação e semiliberdade;
VII - instituir e manter processo de avaliação dos Sistemas de Atendimento
Socioeducativo, seus planos, entidades e programas;
VIII - financiar, com os demais entes federados, a execução de programas e
serviços do Sinase; e
IX - garantir a publicidade de informações sobre repasses de recursos aos
gestores estaduais, distrital e municipais, para financiamento de programas de
atendimento socioeducativo.
§ 1o São vedados à União o desenvolvimento e a oferta de programas próprios de
atendimento.
§ 2o Ao Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda)
competem as funções normativa, deliberativa, de avaliação e de fiscalização do
Sinase, nos termos previstos na Lei no 8.242, de 12 de outubro de 1991, que cria
o referido Conselho.
§ 3o O Plano de que trata o inciso II do caput deste artigo será submetido à
deliberação do Conanda.
§ 4o À Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR)
competem as funções executiva e de gestão do Sinase.
Art. 4o Compete aos Estados:
I - formular, instituir, coordenar e manter Sistema Estadual de Atendimento
Socioeducativo, respeitadas as diretrizes fixadas pela União;
II - elaborar o Plano Estadual de Atendimento Socioeducativo em conformidade com
o Plano Nacional;
III - criar, desenvolver e manter programas para a execução das medidas
socioeducativas de semiliberdade e internação;
IV - editar normas complementares para a organização e funcionamento do seu
sistema de atendimento e dos sistemas municipais;
V - estabelecer com os Municípios formas de colaboração para o atendimento
socioeducativo em meio aberto;
VI - prestar assessoria técnica e suplementação financeira aos Municípios para a
oferta regular de programas de meio aberto;
VII - garantir o pleno funcionamento do plantão interinstitucional, nos termos
previstos no inciso V do art. 88 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990
(Estatuto da Criança e do Adolescente);
VIII - garantir defesa técnica do adolescente a quem se atribua prática de ato
infracional;
IX - cadastrar-se no Sistema Nacional de Informações sobre o Atendimento
Socioeducativo e fornecer regularmente os dados necessários ao povoamento e à
atualização do Sistema; e
X - cofinanciar, com os demais entes federados, a execução de programas e ações
destinados ao atendimento inicial de adolescente apreendido para apuração de ato
infracional, bem como aqueles destinados a adolescente a quem foi aplicada
medida socioeducativa privativa de liberdade.
§ 1o Ao Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente competem as
funções deliberativas e de controle do Sistema Estadual de Atendimento
Socioeducativo, nos termos previstos no inciso II do art. 88 da Lei nº 8.069, de
13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), bem como outras
definidas na legislação estadual ou distrital.
§ 2o O Plano de que trata o inciso II do caput deste artigo será submetido à
deliberação do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente.
§ 3o Competem ao órgão a ser designado no Plano de que trata o inciso II do
caput deste artigo as funções executiva e de gestão do Sistema Estadual de
Atendimento Socioeducativo.
Art. 5o Compete aos Municípios:
I - formular, instituir, coordenar e manter o Sistema Municipal de Atendimento
Socioeducativo, respeitadas as diretrizes fixadas pela União e pelo respectivo
Estado;
II - elaborar o Plano Municipal de Atendimento Socioeducativo, em conformidade
com o Plano Nacional e o respectivo Plano Estadual;
III - criar e manter programas de atendimento para a execução das medidas
socioeducativas em meio aberto;
IV - editar normas complementares para a organização e funcionamento dos
programas do seu Sistema de Atendimento Socioeducativo;
V - cadastrar-se no Sistema Nacional de Informações sobre o Atendimento
Socioeducativo e fornecer regularmente os dados necessários ao povoamento e à
atualização do Sistema; e
VI - cofinanciar, conjuntamente com os demais entes federados, a execução de
programas e ações destinados ao atendimento inicial de adolescente apreendido
para apuração de ato infracional, bem como aqueles destinados a adolescente a
quem foi aplicada medida socioeducativa em meio aberto.
§ 1o Para garantir a oferta de programa de atendimento socioeducativo de meio
aberto, os Municípios podem instituir os consórcios dos quais trata a Lei no
11.107, de 6 de abril de 2005, que dispõe sobre normas gerais de contratação de
consórcios públicos e dá outras providências, ou qualquer outro instrumento
jurídico adequado, como forma de compartilhar responsabilidades.
§ 2o Ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente competem as
funções deliberativas e de controle do Sistema Municipal de Atendimento
Socioeducativo, nos termos previstos no inciso II do art. 88 da Lei nº 8.069, de
13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), bem como outras
definidas na legislação municipal.
§ 3o O Plano de que trata o inciso II do caput deste artigo será submetido à
deliberação do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.
§ 4o Competem ao órgão a ser designado no Plano de que trata o inciso II do
caput deste artigo as funções executiva e de gestão do Sistema Municipal de
Atendimento Socioeducativo.
Art. 6o Ao Distrito Federal cabem, cumulativamente, as competências dos Estados
e dos Municípios.
CAPÍTULO III
DOS PLANOS DE ATENDIMENTO SOCIOEDUCATIVO
Art. 7o O Plano de que trata o inciso II do art. 3o desta Lei deverá incluir um
diagnóstico da situação do Sinase, as diretrizes, os objetivos, as metas, as
prioridades e as formas de financiamento e gestão das ações de atendimento para
os 10 (dez) anos seguintes, em sintonia com os princípios elencados na Lei nº
8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente).
§ 1o As normas nacionais de referência para o atendimento socioeducativo devem
constituir anexo ao Plano de que trata o inciso II do art. 3o desta Lei.
§ 2o Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão, com base no Plano
Nacional de Atendimento Socioeducativo, elaborar seus planos decenais
correspondentes, em até 360 (trezentos e sessenta) dias a partir da aprovação do
Plano Nacional.
Art. 8o Os Planos de Atendimento Socioeducativo deverão, obrigatoriamente,
prever ações articuladas nas áreas de educação, saúde, assistência social,
cultura, capacitação para o trabalho e esporte, para os adolescentes atendidos,
em conformidade com os princípios elencados na Lei nº 8.069, de 13 de julho de
1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Parágrafo único. Os Poderes Legislativos federal, estaduais, distrital e
municipais, por meio de suas comissões temáticas pertinentes, acompanharão a
execução dos Planos de Atendimento Socioeducativo dos respectivos entes
federados.
CAPÍTULO IV
DOS PROGRAMAS DE ATENDIMENTO
Seção I
Disposições Gerais
Art. 9o Os Estados e o Distrito Federal inscreverão seus programas de
atendimento e alterações no Conselho Estadual ou Distrital dos Direitos da
Criança e do Adolescente, conforme o caso.
Art. 10. Os Municípios inscreverão seus programas e alterações, bem como as
entidades de atendimento executoras, no Conselho Municipal dos Direitos da
Criança e do Adolescente.
Art. 11. Além da especificação do regime, são requisitos obrigatórios para a
inscrição de programa de atendimento:
I - a exposição das linhas gerais dos métodos e técnicas pedagógicas, com a
especificação das atividades de natureza coletiva;
II - a indicação da estrutura material, dos recursos humanos e das estratégias
de segurança compatíveis com as necessidades da respectiva unidade;
III - regimento interno que regule o funcionamento da entidade, no qual deverá
constar, no mínimo:
a) o detalhamento das atribuições e responsabilidades do dirigente, de seus
prepostos, dos membros da equipe técnica e dos demais educadores;
b) a previsão das condições do exercício da disciplina e concessão de benefícios
e o respectivo procedimento de aplicação; e
c) a previsão da concessão de benefícios extraordinários e enaltecimento, tendo
em vista tornar público o reconhecimento ao adolescente pelo esforço realizado
na consecução dos objetivos do plano individual;
IV - a política de formação dos recursos humanos;
V - a previsão das ações de acompanhamento do adolescente após o cumprimento de
medida socioeducativa;
VI - a indicação da equipe técnica, cuja quantidade e formação devem estar em
conformidade com as normas de referência do sistema e dos conselhos
profissionais e com o atendimento socioeducativo a ser realizado; e
VII - a adesão ao Sistema de Informações sobre o Atendimento Socioeducativo, bem
como sua operação efetiva.
Parágrafo único. O não cumprimento do previsto neste artigo sujeita as entidades
de atendimento, os órgãos gestores, seus dirigentes ou prepostos à aplicação das
medidas previstas no art. 97 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto
da Criança e do Adolescente).
Art. 12. A composição da equipe técnica do programa de atendimento deverá ser
interdisciplinar, compreendendo, no mínimo, profissionais das áreas de saúde,
educação e assistência social, de acordo com as normas de referência.
§ 1o Outros profissionais podem ser acrescentados às equipes para atender
necessidades específicas do programa.
§ 2o Regimento interno deve discriminar as atribuições de cada profissional,
sendo proibida a sobreposição dessas atribuições na entidade de atendimento.
§ 3o O não cumprimento do previsto neste artigo sujeita as entidades de
atendimento, seus dirigentes ou prepostos à aplicação das medidas previstas no
art. 97 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do
Adolescente).
Seção II
Dos Programas de Meio Aberto
Art. 13. Compete à direção do programa de prestação de serviços à comunidade ou
de liberdade assistida:
I - selecionar e credenciar orientadores, designando-os, caso a caso, para
acompanhar e avaliar o cumprimento da medida;
II - receber o adolescente e seus pais ou responsável e orientá-los sobre a
finalidade da medida e a organização e funcionamento do programa;
III - encaminhar o adolescente para o orientador credenciado;
IV - supervisionar o desenvolvimento da medida; e
V - avaliar, com o orientador, a evolução do cumprimento da medida e, se
necessário, propor à autoridade judiciária sua substituição, suspensão ou
extinção.
Parágrafo único. O rol de orientadores credenciados deverá ser comunicado,
semestralmente, à autoridade judiciária e ao Ministério Público.
Art. 14. Incumbe ainda à direção do programa de medida de prestação de serviços
à comunidade selecionar e credenciar entidades assistenciais, hospitais, escolas
ou outros estabelecimentos congêneres, bem como os programas comunitários ou
governamentais, de acordo com o perfil do socioeducando e o ambiente no qual a
medida será cumprida.
Parágrafo único. Se o Ministério Público impugnar o credenciamento, ou a
autoridade judiciária considerá-lo inadequado, instaurará incidente de
impugnação, com a aplicação subsidiária do procedimento de apuração de
irregularidade em entidade de atendimento regulamentado na Lei no 8.069, de 13
de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), devendo citar o
dirigente do programa e a direção da entidade ou órgão credenciado.
Seção III
Dos Programas de Privação da Liberdade
Art. 15. São requisitos específicos para a inscrição de programas de regime de
semiliberdade ou internação:
I - a comprovação da existência de estabelecimento educacional com instalações
adequadas e em conformidade com as normas de referência;
II - a previsão do processo e dos requisitos para a escolha do dirigente;
III - a apresentação das atividades de natureza coletiva;
IV - a definição das estratégias para a gestão de conflitos, vedada a previsão
de isolamento cautelar, exceto nos casos previstos no § 2o do art. 49 desta Lei;
e
V - a previsão de regime disciplinar nos termos do art. 72 desta Lei.
Art. 16. A estrutura física da unidade deverá ser compatível com as normas de
referência do Sinase.
§ 1o É vedada a edificação de unidades socioeducacionais em espaços contíguos,
anexos, ou de qualquer outra forma integrados a estabelecimentos penais.
§ 2o A direção da unidade adotará, em caráter excepcional, medidas para proteção
do interno em casos de risco à sua integridade física, à sua vida, ou à de
outrem, comunicando, de imediato, seu defensor e o Ministério Público.
Art. 17. Para o exercício da função de dirigente de programa de atendimento em
regime de semiliberdade ou de internação, além dos requisitos específicos
previstos no respectivo programa de atendimento, é necessário:
I - formação de nível superior compatível com a natureza da função;
II - comprovada experiência no trabalho com adolescentes de, no mínimo, 2 (dois)
anos; e
III - reputação ilibada.
CAPÍTULO V
DA AVALIAÇÃO E ACOMPANHAMENTO DA GESTÃO DO ATENDIMENTO SOCIOEDUCATIVO
Art. 18. A União, em articulação com os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios, realizará avaliações periódicas da implementação dos Planos de
Atendimento Socioeducativo em intervalos não superiores a 3 (três) anos.
§ 1o O objetivo da avaliação é verificar o cumprimento das metas estabelecidas e
elaborar recomendações aos gestores e operadores dos Sistemas.
§ 2o O processo de avaliação deverá contar com a participação de representantes
do Poder Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria Pública e dos
Conselhos Tutelares, na forma a ser definida em regulamento.
§ 3o A primeira avaliação do Plano Nacional de Atendimento Socioeducativo
realizar-se-á no terceiro ano de vigência desta Lei, cabendo ao Poder
Legislativo federal acompanhar o trabalho por meio de suas comissões temáticas
pertinentes.
Art. 19. É instituído o Sistema Nacional de Avaliação e Acompanhamento do
Atendimento Socioeducativo, com os seguintes objetivos:
I - contribuir para a organização da rede de atendimento socioeducativo;
II - assegurar conhecimento rigoroso sobre as ações do atendimento
socioeducativo e seus resultados;
III - promover a melhora da qualidade da gestão e do atendimento socioeducativo;
e
IV - disponibilizar informações sobre o atendimento socioeducativo.
§ 1o A avaliação abrangerá, no mínimo, a gestão, as entidades de atendimento, os
programas e os resultados da execução das medidas socioeducativas.
§ 2o Ao final da avaliação, será elaborado relatório contendo histórico e
diagnóstico da situação, as recomendações e os prazos para que essas sejam
cumpridas, além de outros elementos a serem definidos em regulamento.
§ 3o O relatório da avaliação deverá ser encaminhado aos respectivos Conselhos
de Direitos, Conselhos Tutelares e ao Ministério Público.
§ 4o Os gestores e entidades têm o dever de colaborar com o processo de
avaliação, facilitando o acesso às suas instalações, à documentação e a todos os
elementos necessários ao seu efetivo cumprimento.
§ 5o O acompanhamento tem por objetivo verificar o cumprimento das metas dos
Planos de Atendimento Socioeducativo.
Art. 20. O Sistema Nacional de Avaliação e Acompanhamento da Gestão do
Atendimento Socioeducativo assegurará, na metodologia a ser empregada:
I - a realização da autoavaliação dos gestores e das instituições de
atendimento;
II - a avaliação institucional externa, contemplando a análise global e
integrada das instalações físicas, relações institucionais, compromisso social,
atividades e finalidades das instituições de atendimento e seus programas;
III - o respeito à identidade e à diversidade de entidades e programas;
IV - a participação do corpo de funcionários das entidades de atendimento e dos
Conselhos Tutelares da área de atuação da entidade avaliada; e
V - o caráter público de todos os procedimentos, dados e resultados dos
processos avaliativos.
Art. 21. A avaliação será coordenada por uma comissão permanente e realizada por
comissões temporárias, essas compostas, no mínimo, por 3 (três) especialistas
com reconhecida atuação na área temática e definidas na forma do regulamento.
Parágrafo único. É vedado à comissão permanente designar avaliadores:
I - que sejam titulares ou servidores dos órgãos gestores avaliados ou
funcionários das entidades avaliadas;
II - que tenham relação de parentesco até o 3o grau com titulares ou servidores
dos órgãos gestores avaliados e/ou funcionários das entidades avaliadas; e
III - que estejam respondendo a processos criminais.
Art. 22. A avaliação da gestão terá por objetivo:
I - verificar se o planejamento orçamentário e sua execução se processam de
forma compatível com as necessidades do respectivo Sistema de Atendimento
Socioeducativo;
II - verificar a manutenção do fluxo financeiro, considerando as necessidades
operacionais do atendimento socioeducativo, as normas de referência e as
condições previstas nos instrumentos jurídicos celebrados entre os órgãos
gestores e as entidades de atendimento;
III - verificar a implementação de todos os demais compromissos assumidos por
ocasião da celebração dos instrumentos jurídicos relativos ao atendimento
socioeducativo; e
IV - a articulação interinstitucional e intersetorial das políticas.
Art. 23. A avaliação das entidades terá por objetivo identificar o perfil e o
impacto de sua atuação, por meio de suas atividades, programas e projetos,
considerando as diferentes dimensões institucionais e, entre elas,
obrigatoriamente, as seguintes:
I - o plano de desenvolvimento institucional;
II - a responsabilidade social, considerada especialmente sua contribuição para
a inclusão social e o desenvolvimento socioeconômico do adolescente e de sua
família;
III - a comunicação e o intercâmbio com a sociedade;
IV - as políticas de pessoal quanto à qualificação, aperfeiçoamento,
desenvolvimento profissional e condições de trabalho;
V - a adequação da infraestrutura física às normas de referência;
VI - o planejamento e a autoavaliação quanto aos processos, resultados,
eficiência e eficácia do projeto pedagógico e da proposta socioeducativa;
VII - as políticas de atendimento para os adolescentes e suas famílias;
VIII - a atenção integral à saúde dos adolescentes em conformidade com as
diretrizes do art. 60 desta Lei; e
IX - a sustentabilidade financeira.
Art. 24. A avaliação dos programas terá por objetivo verificar, no mínimo, o
atendimento ao que determinam os arts. 94, 100, 117, 119, 120, 123 e 124 da Lei
no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Art. 25. A avaliação dos resultados da execução de medida socioeducativa terá
por objetivo, no mínimo:
I - verificar a situação do adolescente após cumprimento da medida
socioeducativa, tomando por base suas perspectivas educacionais, sociais,
profissionais e familiares; e
II - verificar reincidência de prática de ato infracional.
Art. 26. Os resultados da avaliação serão utilizados para:
I - planejamento de metas e eleição de prioridades do Sistema de Atendimento
Socioeducativo e seu financiamento;
II - reestruturação e/ou ampliação da rede de atendimento socioeducativo, de
acordo com as necessidades diagnosticadas;
III - adequação dos objetivos e da natureza do atendimento socioeducativo
prestado pelas entidades avaliadas;
IV - celebração de instrumentos de cooperação com vistas à correção de problemas
diagnosticados na avaliação;
V - reforço de financiamento para fortalecer a rede de atendimento
socioeducativo;
VI - melhorar e ampliar a capacitação dos operadores do Sistema de Atendimento
Socioeducativo; e
VII - os efeitos do art. 95 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da
Criança e do Adolescente).
Parágrafo único. As recomendações originadas da avaliação deverão indicar prazo
para seu cumprimento por parte das entidades de atendimento e dos gestores
avaliados, ao fim do qual estarão sujeitos às medidas previstas no art. 28 desta
Lei.
Art. 27. As informações produzidas a partir do Sistema Nacional de Informações
sobre Atendimento Socioeducativo serão utilizadas para subsidiar a avaliação, o
acompanhamento, a gestão e o financiamento dos Sistemas Nacional, Distrital,
Estaduais e Municipais de Atendimento Socioeducativo.
CAPÍTULO VI
DA RESPONSABILIZAÇÃO DOS GESTORES, OPERADORES E ENTIDADES DE ATENDIMENTO
Art. 28. No caso do desrespeito, mesmo que parcial, ou do não cumprimento
integral às diretrizes e determinações desta Lei, em todas as esferas, são
sujeitos:
I - gestores, operadores e seus prepostos e entidades governamentais às medidas
previstas no inciso I e no § 1o do art. 97 da Lei no 8.069, de 13 de julho de
1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente); e
II - entidades não governamentais, seus gestores, operadores e prepostos às
medidas previstas no inciso II e no § 1o do art. 97 da Lei no 8.069, de 13 de
julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Parágrafo único. A aplicação das medidas previstas neste artigo dar-se-á a
partir da análise de relatório circunstanciado elaborado após as avaliações, sem
prejuízo do que determinam os arts. 191 a 197, 225 a 227, 230 a 236, 243 e 245 a
247 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do
Adolescente).
Art. 29. Àqueles que, mesmo não sendo agentes públicos, induzam ou concorram,
sob qualquer forma, direta ou indireta, para o não cumprimento desta Lei,
aplicam-se, no que couber, as penalidades dispostas na Lei no 8.429, de 2 de
junho de 1992, que dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos
casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou
função na administração pública direta, indireta ou fundacional e dá outras
providências (Lei de Improbidade Administrativa).
CAPÍTULO VII
DO FINANCIAMENTO E DAS PRIORIDADES
Art. 30. O Sinase será cofinanciado com recursos dos orçamentos fiscal e da
seguridade social, além de outras fontes.
§ 1o (VETADO).
§ 2o Os entes federados que tenham instituído seus sistemas de atendimento
socioeducativo terão acesso aos recursos na forma de transferência adotada pelos
órgãos integrantes do Sinase.
§ 3o Os entes federados beneficiados com recursos dos orçamentos dos órgãos
responsáveis pelas políticas integrantes do Sinase, ou de outras fontes, estão
sujeitos às normas e procedimentos de monitoramento estabelecidos pelas
instâncias dos órgãos das políticas setoriais envolvidas, sem prejuízo do
disposto nos incisos IX e X do art. 4o, nos incisos V e VI do art. 5o e no art.
6o desta Lei.
Art. 31. Os Conselhos de Direitos, nas 3 (três) esferas de governo, definirão,
anualmente, o percentual de recursos dos Fundos dos Direitos da Criança e do
Adolescente a serem aplicados no financiamento das ações previstas nesta Lei, em
especial para capacitação, sistemas de informação e de avaliação.
Parágrafo único. Os entes federados beneficiados com recursos do Fundo dos
Direitos da Criança e do Adolescente para ações de atendimento socioeducativo
prestarão informações sobre o desempenho dessas ações por meio do Sistema de
Informações sobre Atendimento Socioeducativo.
Art. 32. A Lei no 7.560, de 19 de dezembro de 1986, passa a vigorar com as
seguintes alterações:
“Art. 5o Os recursos do Funad serão destinados:
.............................................................................................
X - às entidades governamentais e não governamentais integrantes do Sistema
Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase).
...................................................................................”
(NR)
“Art. 5o-A. A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), órgão
gestor do Fundo Nacional Antidrogas (Funad), poderá financiar projetos das
entidades do Sinase desde que:
I - o ente federado de vinculação da entidade que solicita o recurso possua o
respectivo Plano de Atendimento Socioeducativo aprovado;
II - as entidades governamentais e não governamentais integrantes do Sinase que
solicitem recursos tenham participado da avaliação nacional do atendimento
socioeducativo;
III - o projeto apresentado esteja de acordo com os pressupostos da Política
Nacional sobre Drogas e legislação específica.”
Art. 33. A Lei no 7.998, de 11 de janeiro de 1990, passa a vigorar acrescida do
seguinte art. 19-A:
“Art. 19-A. O Codefat poderá priorizar projetos das entidades integrantes do
Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) desde que:
I - o ente federado de vinculação da entidade que solicita o recurso possua o
respectivo Plano de Atendimento Socioeducativo aprovado;
II - as entidades governamentais e não governamentais integrantes do Sinase que
solicitem recursos tenham se submetido à avaliação nacional do atendimento
socioeducativo.”
Art. 34. O art. 2o da Lei no 5.537, de 21 de novembro de 1968, passa a vigorar
acrescido do seguinte § 3o:
“Art. 2o .......................................................................
.............................................................................................
§ 3o O fundo de que trata o art. 1o poderá financiar, na forma das resoluções de
seu conselho deliberativo, programas e projetos de educação básica relativos ao
Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) desde que:
I - o ente federado que solicitar o recurso possua o respectivo Plano de
Atendimento Socioeducativo aprovado;
II - as entidades de atendimento vinculadas ao ente federado que solicitar o
recurso tenham se submetido à avaliação nacional do atendimento socioeducativo;
e
III - o ente federado tenha assinado o Plano de Metas Compromisso Todos pela
Educação e elaborado o respectivo Plano de Ações Articuladas (PAR).” (NR)
TÍTULO II
DA EXECUÇÃO DAS MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 35. A execução das medidas socioeducativas reger-se-á pelos seguintes
princípios:
I - legalidade, não podendo o adolescente receber tratamento mais gravoso do que
o conferido ao adulto;
II - excepcionalidade da intervenção judicial e da imposição de medidas,
favorecendo-se meios de autocomposição de conflitos;
III - prioridade a práticas ou medidas que sejam restaurativas e, sempre que
possível, atendam às necessidades das vítimas;
IV - proporcionalidade em relação à ofensa cometida;
V - brevidade da medida em resposta ao ato cometido, em especial o respeito ao
que dispõe o art. 122 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da
Criança e do Adolescente);
VI - individualização, considerando-se a idade, capacidades e circunstâncias
pessoais do adolescente;
VII - mínima intervenção, restrita ao necessário para a realização dos objetivos
da medida;
VIII - não discriminação do adolescente, notadamente em razão de etnia, gênero,
nacionalidade, classe social, orientação religiosa, política ou sexual, ou
associação ou pertencimento a qualquer minoria ou status; e
IX - fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários no processo
socioeducativo.
CAPÍTULO II
DOS PROCEDIMENTOS
Art. 36. A competência para jurisdicionar a execução das medidas socioeducativas
segue o determinado pelo art. 146 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990
(Estatuto da Criança e do Adolescente).
Art. 37. A defesa e o Ministério Público intervirão, sob pena de nulidade, no
procedimento judicial de execução de medida socioeducativa, asseguradas aos seus
membros as prerrogativas previstas na Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990
(Estatuto da Criança e do Adolescente), podendo requerer as providências
necessárias para adequar a execução aos ditames legais e regulamentares.
Art. 38. As medidas de proteção, de advertência e de reparação do dano, quando
aplicadas de forma isolada, serão executadas nos próprios autos do processo de
conhecimento, respeitado o disposto nos arts. 143 e 144 da Lei no 8.069, de 13
de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Art. 39. Para aplicação das medidas socioeducativas de prestação de serviços à
comunidade, liberdade assistida, semiliberdade ou internação, será constituído
processo de execução para cada adolescente, respeitado o disposto nos arts. 143
e 144 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do
Adolescente), e com autuação das seguintes peças:
I - documentos de caráter pessoal do adolescente existentes no processo de
conhecimento, especialmente os que comprovem sua idade; e
II - as indicadas pela autoridade judiciária, sempre que houver necessidade e,
obrigatoriamente:
a) cópia da representação;
b) cópia da certidão de antecedentes;
c) cópia da sentença ou acórdão; e
d) cópia de estudos técnicos realizados durante a fase de conhecimento.
Parágrafo único. Procedimento idêntico será observado na hipótese de medida
aplicada em sede de remissão, como forma de suspensão do processo.
Art. 40. Autuadas as peças, a autoridade judiciária encaminhará, imediatamente,
cópia integral do expediente ao órgão gestor do atendimento socioeducativo,
solicitando designação do programa ou da unidade de cumprimento da medida.
Art. 41. A autoridade judiciária dará vistas da proposta de plano individual de
que trata o art. 53 desta Lei ao defensor e ao Ministério Público pelo prazo
sucessivo de 3 (três) dias, contados do recebimento da proposta encaminhada pela
direção do programa de atendimento.
§ 1o O defensor e o Ministério Público poderão requerer, e o Juiz da Execução
poderá determinar, de ofício, a realização de qualquer avaliação ou perícia que
entenderem necessárias para complementação do plano individual.
§ 2o A impugnação ou complementação do plano individual, requerida pelo defensor
ou pelo Ministério Público, deverá ser fundamentada, podendo a autoridade
judiciária indeferi-la, se entender insuficiente a motivação.
§ 3o Admitida a impugnação, ou se entender que o plano é inadequado, a
autoridade judiciária designará, se necessário, audiência da qual cientificará o
defensor, o Ministério Público, a direção do programa de atendimento, o
adolescente e seus pais ou responsável.
§ 4o A impugnação não suspenderá a execução do plano individual, salvo
determinação judicial em contrário.
§ 5o Findo o prazo sem impugnação, considerar-se-á o plano individual
homologado.
Art. 42. As medidas socioeducativas de liberdade assistida, de semiliberdade e
de internação deverão ser reavaliadas no máximo a cada 6 (seis) meses, podendo a
autoridade judiciária, se necessário, designar audiência, no prazo máximo de 10
(dez) dias, cientificando o defensor, o Ministério Público, a direção do
programa de atendimento, o adolescente e seus pais ou responsável.
§ 1o A audiência será instruída com o relatório da equipe técnica do programa de
atendimento sobre a evolução do plano de que trata o art. 52 desta Lei e com
qualquer outro parecer técnico requerido pelas partes e deferido pela autoridade
judiciária.
§ 2o A gravidade do ato infracional, os antecedentes e o tempo de duração da
medida não são fatores que, por si, justifiquem a não substituição da medida por
outra menos grave.
§ 3o Considera-se mais grave a internação, em relação a todas as demais medidas,
e mais grave a semiliberdade, em relação às medidas de meio aberto.
Art. 43. A reavaliação da manutenção, da substituição ou da suspensão das
medidas de meio aberto ou de privação da liberdade e do respectivo plano
individual pode ser solicitada a qualquer tempo, a pedido da direção do programa
de atendimento, do defensor, do Ministério Público, do adolescente, de seus pais
ou responsável.
§ 1o Justifica o pedido de reavaliação, entre outros motivos:
I - o desempenho adequado do adolescente com base no seu plano de atendimento
individual, antes do prazo da reavaliação obrigatória;
II - a inadaptação do adolescente ao programa e o reiterado descumprimento das
atividades do plano individual; e
III - a necessidade de modificação das atividades do plano individual que
importem em maior restrição da liberdade do adolescente.
§ 2o A autoridade judiciária poderá indeferir o pedido, de pronto, se entender
insuficiente a motivação.
§ 3o Admitido o processamento do pedido, a autoridade judiciária, se necessário,
designará audiência, observando o princípio do § 1o do art. 42 desta Lei.
§ 4o A substituição por medida mais gravosa somente ocorrerá em situações
excepcionais, após o devido processo legal, inclusive na hipótese do inciso III
do art. 122 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do
Adolescente), e deve ser:
I - fundamentada em parecer técnico;
II - precedida de prévia audiência, e nos termos do § 1o do art. 42 desta Lei.
Art. 44. Na hipótese de substituição da medida ou modificação das atividades do
plano individual, a autoridade judiciária remeterá o inteiro teor da decisão à
direção do programa de atendimento, assim como as peças que entender relevantes
à nova situação jurídica do adolescente.
Parágrafo único. No caso de a substituição da medida importar em vinculação do
adolescente a outro programa de atendimento, o plano individual e o histórico do
cumprimento da medida deverão acompanhar a transferência.
Art. 45. Se, no transcurso da execução, sobrevier sentença de aplicação de nova
medida, a autoridade judiciária procederá à unificação, ouvidos, previamente, o
Ministério Público e o defensor, no prazo de 3 (três) dias sucessivos,
decidindo-se em igual prazo.
§ 1o É vedado à autoridade judiciária determinar reinício de cumprimento de
medida socioeducativa, ou deixar de considerar os prazos máximos, e de liberação
compulsória previstos na Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da
Criança e do Adolescente), excetuada a hipótese de medida aplicada por ato
infracional praticado durante a execução.
§ 2o É vedado à autoridade judiciária aplicar nova medida de internação, por
atos infracionais praticados anteriormente, a adolescente que já tenha concluído
cumprimento de medida socioeducativa dessa natureza, ou que tenha sido
transferido para cumprimento de medida menos rigorosa, sendo tais atos
absorvidos por aqueles aos quais se impôs a medida socioeducativa extrema.
Art. 46. A medida socioeducativa será declarada extinta:
I - pela morte do adolescente;
II - pela realização de sua finalidade;
III - pela aplicação de pena privativa de liberdade, a ser cumprida em regime
fechado ou semiaberto, em execução provisória ou definitiva;
IV - pela condição de doença grave, que torne o adolescente incapaz de
submeter-se ao cumprimento da medida; e
V - nas demais hipóteses previstas em lei.
§ 1o No caso de o maior de 18 (dezoito) anos, em cumprimento de medida
socioeducativa, responder a processo-crime, caberá à autoridade judiciária
decidir sobre eventual extinção da execução, cientificando da decisão o juízo
criminal competente.
§ 2o Em qualquer caso, o tempo de prisão cautelar não convertida em pena
privativa de liberdade deve ser descontado do prazo de cumprimento da medida
socioeducativa.
Art. 47. O mandado de busca e apreensão do adolescente terá vigência máxima de 6
(seis) meses, a contar da data da expedição, podendo, se necessário, ser
renovado, fundamentadamente.
Art. 48. O defensor, o Ministério Público, o adolescente e seus pais ou
responsável poderão postular revisão judicial de qualquer sanção disciplinar
aplicada, podendo a autoridade judiciária suspender a execução da sanção até
decisão final do incidente.
§ 1o Postulada a revisão após ouvida a autoridade colegiada que aplicou a sanção
e havendo provas a produzir em audiência, procederá o magistrado na forma do §
1o do art. 42 desta Lei.
§ 2o É vedada a aplicação de sanção disciplinar de isolamento a adolescente
interno, exceto seja essa imprescindível para garantia da segurança de outros
internos ou do próprio adolescente a quem seja imposta a sanção, sendo
necessária ainda comunicação ao defensor, ao Ministério Público e à autoridade
judiciária em até 24 (vinte e quatro) horas.
CAPÍTULO III
DOS DIREITOS INDIVIDUAIS
Art. 49. São direitos do adolescente submetido ao cumprimento de medida
socioeducativa, sem prejuízo de outros previstos em lei:
I - ser acompanhado por seus pais ou responsável e por seu defensor, em qualquer
fase do procedimento administrativo ou judicial;
II - ser incluído em programa de meio aberto quando inexistir vaga para o
cumprimento de medida de privação da liberdade, exceto nos casos de ato
infracional cometido mediante grave ameaça ou violência à pessoa, quando o
adolescente deverá ser internado em Unidade mais próxima de seu local de
residência;
III - ser respeitado em sua personalidade, intimidade, liberdade de pensamento e
religião e em todos os direitos não expressamente limitados na sentença;
IV - peticionar, por escrito ou verbalmente, diretamente a qualquer autoridade
ou órgão público, devendo, obrigatoriamente, ser respondido em até 15 (quinze)
dias;
V - ser informado, inclusive por escrito, das normas de organização e
funcionamento do programa de atendimento e também das previsões de natureza
disciplinar;
VI - receber, sempre que solicitar, informações sobre a evolução de seu plano
individual, participando, obrigatoriamente, de sua elaboração e, se for o caso,
reavaliação;
VII - receber assistência integral à sua saúde, conforme o disposto no art. 60
desta Lei; e
VIII - ter atendimento garantido em creche e pré-escola aos filhos de 0 (zero) a
5 (cinco) anos.
§ 1o As garantias processuais destinadas a adolescente autor de ato infracional
previstas na Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do
Adolescente), aplicam-se integralmente na execução das medidas socioeducativas,
inclusive no âmbito administrativo.
§ 2o A oferta irregular de programas de atendimento socioeducativo em meio
aberto não poderá ser invocada como motivo para aplicação ou manutenção de
medida de privação da liberdade.
Art. 50. Sem prejuízo do disposto no § 1o do art. 121 da Lei no 8.069, de 13 de
julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), a direção do programa de
execução de medida de privação da liberdade poderá autorizar a saída,
monitorada, do adolescente nos casos de tratamento médico, doença grave ou
falecimento, devidamente comprovados, de pai, mãe, filho, cônjuge, companheiro
ou irmão, com imediata comunicação ao juízo competente.
Art. 51. A decisão judicial relativa à execução de medida socioeducativa será
proferida após manifestação do defensor e do Ministério Público.
CAPÍTULO IV
DO PLANO INDIVIDUAL DE ATENDIMENTO (PIA)
Art. 52. O cumprimento das medidas socioeducativas, em regime de prestação de
serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade ou internação,
dependerá de Plano Individual de Atendimento (PIA), instrumento de previsão,
registro e gestão das atividades a serem desenvolvidas com o adolescente.
Parágrafo único. O PIA deverá contemplar a participação dos pais ou
responsáveis, os quais têm o dever de contribuir com o processo ressocializador
do adolescente, sendo esses passíveis de responsabilização administrativa, nos
termos do art. 249 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança
e do Adolescente), civil e criminal.
Art. 53. O PIA será elaborado sob a responsabilidade da equipe técnica do
respectivo programa de atendimento, com a participação efetiva do adolescente e
de sua família, representada por seus pais ou responsável.
Art. 54. Constarão do plano individual, no mínimo:
I - os resultados da avaliação interdisciplinar;
II - os objetivos declarados pelo adolescente;
III - a previsão de suas atividades de integração social e/ou capacitação
profissional;
IV - atividades de integração e apoio à família;
V - formas de participação da família para efetivo cumprimento do plano
individual; e
VI - as medidas específicas de atenção à sua saúde.
Art. 55. Para o cumprimento das medidas de semiliberdade ou de internação, o
plano individual conterá, ainda:
I - a designação do programa de atendimento mais adequado para o cumprimento da
medida;
II - a definição das atividades internas e externas, individuais ou coletivas,
das quais o adolescente poderá participar; e
III - a fixação das metas para o alcance de desenvolvimento de atividades
externas.
Parágrafo único. O PIA será elaborado no prazo de até 45 (quarenta e cinco) dias
da data do ingresso do adolescente no programa de atendimento.
Art. 56. Para o cumprimento das medidas de prestação de serviços à comunidade e
de liberdade assistida, o PIA será elaborado no prazo de até 15 (quinze) dias do
ingresso do adolescente no programa de atendimento.
Art. 57. Para a elaboração do PIA, a direção do respectivo programa de
atendimento, pessoalmente ou por meio de membro da equipe técnica, terá acesso
aos autos do procedimento de apuração do ato infracional e aos dos procedimentos
de apuração de outros atos infracionais atribuídos ao mesmo adolescente.
§ 1o O acesso aos documentos de que trata o caput deverá ser realizado por
funcionário da entidade de atendimento, devidamente credenciado para tal
atividade, ou por membro da direção, em conformidade com as normas a serem
definidas pelo Poder Judiciário, de forma a preservar o que determinam os arts.
143 e 144 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do
Adolescente).
§ 2o A direção poderá requisitar, ainda:
I - ao estabelecimento de ensino, o histórico escolar do adolescente e as
anotações sobre o seu aproveitamento;
II - os dados sobre o resultado de medida anteriormente aplicada e cumprida em
outro programa de atendimento; e
III - os resultados de acompanhamento especializado anterior.
Art. 58. Por ocasião da reavaliação da medida, é obrigatória a apresentação pela
direção do programa de atendimento de relatório da equipe técnica sobre a
evolução do adolescente no cumprimento do plano individual.
Art. 59. O acesso ao plano individual será restrito aos servidores do respectivo
programa de atendimento, ao adolescente e a seus pais ou responsável, ao
Ministério Público e ao defensor, exceto expressa autorização judicial.
CAPÍTULO V
DA ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DE ADOLESCENTE EM CUMPRIMENTO DE MEDIDA
SOCIOEDUCATIVA
Seção I
Disposições Gerais
Art. 60. A atenção integral à saúde do adolescente no Sistema de Atendimento
Socioeducativo seguirá as seguintes diretrizes:
I - previsão, nos planos de atendimento socioeducativo, em todas as esferas, da
implantação de ações de promoção da saúde, com o objetivo de integrar as ações
socioeducativas, estimulando a autonomia, a melhoria das relações interpessoais
e o fortalecimento de redes de apoio aos adolescentes e suas famílias;
II - inclusão de ações e serviços para a promoção, proteção, prevenção de
agravos e doenças e recuperação da saúde;
III - cuidados especiais em saúde mental, incluindo os relacionados ao uso de
álcool e outras substâncias psicoativas, e atenção aos adolescentes com
deficiências;
IV - disponibilização de ações de atenção à saúde sexual e reprodutiva e à
prevenção de doenças sexualmente transmissíveis;
V - garantia de acesso a todos os níveis de atenção à saúde, por meio de
referência e contrarreferência, de acordo com as normas do Sistema Único de
Saúde (SUS);
VI - capacitação das equipes de saúde e dos profissionais das entidades de
atendimento, bem como daqueles que atuam nas unidades de saúde de referência
voltadas às especificidades de saúde dessa população e de suas famílias;
VII - inclusão, nos Sistemas de Informação de Saúde do SUS, bem como no Sistema
de Informações sobre Atendimento Socioeducativo, de dados e indicadores de saúde
da população de adolescentes em atendimento socioeducativo; e
VIII - estruturação das unidades de internação conforme as normas de referência
do SUS e do Sinase, visando ao atendimento das necessidades de Atenção Básica.
Art. 61. As entidades que ofereçam programas de atendimento socioeducativo em
meio aberto e de semiliberdade deverão prestar orientações aos socioeducandos
sobre o acesso aos serviços e às unidades do SUS.
Art. 62. As entidades que ofereçam programas de privação de liberdade deverão
contar com uma equipe mínima de profissionais de saúde cuja composição esteja em
conformidade com as normas de referência do SUS.
Art. 63. (VETADO).
§ 1o O filho de adolescente nascido nos estabelecimentos referidos no caput
deste artigo não terá tal informação lançada em seu registro de nascimento.
§ 2o Serão asseguradas as condições necessárias para que a adolescente submetida
à execução de medida socioeducativa de privação de liberdade permaneça com o seu
filho durante o período de amamentação.
Seção II
Do Atendimento a Adolescente com Transtorno Mental e com Dependência de Álcool e
de Substância Psicoativa
Art 64. O adolescente em cumprimento de medida socioeducativa que apresente
indícios de transtorno mental, de deficiência mental, ou associadas, deverá ser
avaliado por equipe técnica multidisciplinar e multissetorial.
§ 1o As competências, a composição e a atuação da equipe técnica de que trata o
caput deverão seguir, conjuntamente, as normas de referência do SUS e do Sinase,
na forma do regulamento.
§ 2o A avaliação de que trata o caput subsidiará a elaboração e execução da
terapêutica a ser adotada, a qual será incluída no PIA do adolescente, prevendo,
se necessário, ações voltadas para a família.
§ 3o As informações produzidas na avaliação de que trata o caput são
consideradas sigilosas.
§ 4o Excepcionalmente, o juiz poderá suspender a execução da medida
socioeducativa, ouvidos o defensor e o Ministério Público, com vistas a incluir
o adolescente em programa de atenção integral à saúde mental que melhor atenda
aos objetivos terapêuticos estabelecidos para o seu caso específico.
§ 5o Suspensa a execução da medida socioeducativa, o juiz designará o
responsável por acompanhar e informar sobre a evolução do atendimento ao
adolescente.
§ 6o A suspensão da execução da medida socioeducativa será avaliada, no mínimo,
a cada 6 (seis) meses.
§ 7o O tratamento a que se submeterá o adolescente deverá observar o previsto na
Lei no 10.216, de 6 de abril de 2001, que dispõe sobre a proteção e os direitos
das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo
assistencial em saúde mental.
§ 8o (VETADO).
Art. 65. Enquanto não cessada a jurisdição da Infância e Juventude, a autoridade
judiciária, nas hipóteses tratadas no art. 64, poderá remeter cópia dos autos ao
Ministério Público para eventual propositura de interdição e outras providências
pertinentes.
Art. 66. (VETADO).
CAPÍTULO VI
DAS VISITAS A ADOLESCENTE EM CUMPRIMENTO DE MEDIDA DE
INTERNAÇÃO
Art. 67. A visita do cônjuge, companheiro, pais ou responsáveis, parentes e
amigos a adolescente a quem foi aplicada medida socioeducativa de internação
observará dias e horários próprios definidos pela direção do programa de
atendimento.
Art. 68. É assegurado ao adolescente casado ou que viva, comprovadamente, em
união estável o direito à visita íntima.
Parágrafo único. O visitante será identificado e registrado pela direção do
programa de atendimento, que emitirá documento de identificação, pessoal e
intransferível, específico para a realização da visita íntima.
Art. 69. É garantido aos adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de
internação o direito de receber visita dos filhos, independentemente da idade
desses.
Art. 70. O regulamento interno estabelecerá as hipóteses de proibição da entrada
de objetos na unidade de internação, vedando o acesso aos seus portadores.
CAPÍTULO VII
DOS REGIMES DISCIPLINARES
Art. 71. Todas as entidades de atendimento socioeducativo deverão, em seus
respectivos regimentos, realizar a previsão de regime disciplinar que obedeça
aos seguintes princípios:
I - tipificação explícita das infrações como leves, médias e graves e
determinação das correspondentes sanções;
II - exigência da instauração formal de processo disciplinar para a aplicação de
qualquer sanção, garantidos a ampla defesa e o contraditório;
III - obrigatoriedade de audiência do socioeducando nos casos em que seja
necessária a instauração de processo disciplinar;
IV - sanção de duração determinada;
V - enumeração das causas ou circunstâncias que eximam, atenuem ou agravem a
sanção a ser imposta ao socioeducando, bem como os requisitos para a extinção
dessa;
VI - enumeração explícita das garantias de defesa;
VII - garantia de solicitação e rito de apreciação dos recursos cabíveis; e
VIII - apuração da falta disciplinar por comissão composta por, no mínimo, 3
(três) integrantes, sendo 1 (um), obrigatoriamente, oriundo da equipe técnica.
Art. 72. O regime disciplinar é independente da responsabilidade civil ou penal
que advenha do ato cometido.
Art. 73. Nenhum socioeducando poderá desempenhar função ou tarefa de apuração
disciplinar ou aplicação de sanção nas entidades de atendimento socioeducativo.
Art. 74. Não será aplicada sanção disciplinar sem expressa e anterior previsão
legal ou regulamentar e o devido processo administrativo.
Art. 75. Não será aplicada sanção disciplinar ao socioeducando que tenha
praticado a falta:
I - por coação irresistível ou por motivo de força maior;
II - em legítima defesa, própria ou de outrem.
CAPÍTULO VIII
DA CAPACITAÇÃO PARA O TRABALHO
Art. 76. O art. 2o do Decreto-Lei no 4.048, de 22 de janeiro de 1942, passa a
vigorar acrescido do seguinte § 1o, renumerando-se o atual parágrafo único para
§ 2o:
“Art. 2o
.........................................................................
§ 1o As escolas do Senai poderão ofertar vagas aos usuários do Sistema Nacional
de Atendimento Socioeducativo (Sinase) nas condições a serem dispostas em
instrumentos de cooperação celebrados entre os operadores do Senai e os gestores
dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo locais.
§ 2o ...................................................................... ”
(NR)
Art. 77. O art. 3o do Decreto-Lei no 8.621, de 10 de janeiro de 1946, passa a
vigorar acrescido do seguinte § 1o, renumerando-se o atual parágrafo único para
§ 2o:
“Art. 3o
.........................................................................
§ 1o As escolas do Senac poderão ofertar vagas aos usuários do Sistema Nacional
de Atendimento Socioeducativo (Sinase) nas condições a serem dispostas em
instrumentos de cooperação celebrados entre os operadores do Senac e os gestores
dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo locais.
§ 2o. ..................................................................... ”
(NR)
Art. 78. O art. 1o da Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, passa a vigorar
acrescido do seguinte parágrafo único:
“Art. 1o
.........................................................................
Parágrafo único. Os programas de formação profissional rural do Senar poderão
ofertar vagas aos usuários do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo
(Sinase) nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação
celebrados entre os operadores do Senar e os gestores dos Sistemas de
Atendimento Socioeducativo locais.” (NR)
Art. 79. O art. 3o da Lei no 8.706, de 14 de setembro de 1993, passa a vigorar
acrescido do seguinte parágrafo único:
“Art. 3o
.........................................................................
Parágrafo único. Os programas de formação profissional do Senat poderão ofertar
vagas aos usuários do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase)
nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação celebrados entre
os operadores do Senat e os gestores dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo
locais.” (NR)
Art. 80. O art. 429 do Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, passa a
vigorar acrescido do seguinte § 2o:
“Art. 429. .....................................................................
.............................................................................................
§ 2o Os estabelecimentos de que trata o caput ofertarão vagas de aprendizes a
adolescentes usuários do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase)
nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação celebrados entre
os estabelecimentos e os gestores dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo
locais.” (NR)
TÍTULO III
DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS
Art. 81. As entidades que mantenham programas de atendimento têm o prazo de até
6 (seis) meses após a publicação desta Lei para encaminhar ao respectivo
Conselho Estadual ou Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente proposta
de adequação da sua inscrição, sob pena de interdição.
Art. 82. Os Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente, em todos os
níveis federados, com os órgãos responsáveis pelo sistema de educação pública e
as entidades de atendimento, deverão, no prazo de 1 (um) ano a partir da
publicação desta Lei, garantir a inserção de adolescentes em cumprimento de
medida socioeducativa na rede pública de educação, em qualquer fase do período
letivo, contemplando as diversas faixas etárias e níveis de instrução.
Art. 83. Os programas de atendimento socioeducativo sob a responsabilidade do
Poder Judiciário serão, obrigatoriamente, transferidos ao Poder Executivo no
prazo máximo de 1 (um) ano a partir da publicação desta Lei e de acordo com a
política de oferta dos programas aqui definidos.
Art. 84. Os programas de internação e semiliberdade sob a responsabilidade dos
Municípios serão, obrigatoriamente, transferidos para o Poder Executivo do
respectivo Estado no prazo máximo de 1 (um) ano a partir da publicação desta Lei
e de acordo com a política de oferta dos programas aqui definidos.
Art. 85. A não transferência de programas de atendimento para os devidos entes
responsáveis, no prazo determinado nesta Lei, importará na interdição do
programa e caracterizará ato de improbidade administrativa do agente
responsável, vedada, ademais, ao Poder Judiciário e ao Poder Executivo
municipal, ao final do referido prazo, a realização de despesas para a sua
manutenção.
Art. 86. Os arts. 90, 97, 121, 122, 198 e 208 da Lei no 8.069, de 13 de julho de
1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), passam a vigorar com a seguinte
redação:
“Art. 90. ......................................................................
.............................................................................................
V - prestação de serviços à comunidade;
VI - liberdade assistida;
VII - semiliberdade; e
VIII -
internação....................................................................................”
(NR)
“Art. 97. (VETADO)”
“Art. 121. .................................…………………............
.............................................................................................
§ 7o A determinação judicial mencionada no § 1o poderá ser revista a qualquer
tempo pela autoridade judiciária.” (NR)
“Art. 122. .....................................................................
.............................................................................................
§ 1o O prazo de internação na hipótese do inciso III deste artigo não poderá ser
superior a 3 (três) meses, devendo ser decretada judicialmente após o devido
processo legal.
...................................................................................”
(NR)
“Art. 198. Nos procedimentos afetos à Justiça da Infância e da Juventude,
inclusive os relativos à execução das medidas socioeducativas, adotar-se-á o
sistema recursal da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo
Civil), com as seguintes adaptações:
.............................................................................................
II - em todos os recursos, salvo nos embargos de declaração, o prazo para o
Ministério Público e para a defesa será sempre de 10 (dez) dias;
...................................................................................”
(NR)
“Art. 208. .....................................................................
.............................................................................................
X - de programas de atendimento para a execução das medidas socioeducativas e
aplicação de medidas de proteção.
...................................................................................”
(NR)
Art. 87. A Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do
Adolescente), passa a vigorar com as seguintes alterações:
“Art. 260. Os contribuintes poderão efetuar doações aos Fundos dos Direitos da
Criança e do Adolescente nacional, distrital, estaduais ou municipais,
devidamente comprovadas, sendo essas integralmente deduzidas do imposto de
renda, obedecidos os seguintes limites:
I - 1% (um por cento) do imposto sobre a renda devido apurado pelas pessoas
jurídicas tributadas com base no lucro real; e
II - 6% (seis por cento) do imposto sobre a renda apurado pelas pessoas físicas
na Declaração de Ajuste Anual, observado o disposto no art. 22 da Lei no 9.532,
de 10 de dezembro de 1997.
.............................................................................................
§ 5o Observado o disposto no § 4o do art. 3o da Lei no 9.249, de 26 de dezembro
de 1995, a dedução de que trata o inciso I do caput:
I - será considerada isoladamente, não se submetendo a limite em conjunto com
outras deduções do imposto; e
II - não poderá ser computada como despesa operacional na apuração do lucro
real.” (NR)
“Art. 260-A. A partir do exercício de 2010, ano-calendário de 2009, a pessoa
física poderá optar pela doação de que trata o inciso II do caput do art. 260
diretamente em sua Declaração de Ajuste Anual.
§ 1o A doação de que trata o caput poderá ser deduzida até os seguintes
percentuais aplicados sobre o imposto apurado na declaração:
I - (VETADO);
II - (VETADO);
III - 3% (três por cento) a partir do exercício de 2012.
§ 2o A dedução de que trata o caput:
I - está sujeita ao limite de 6% (seis por cento) do imposto sobre a renda
apurado na declaração de que trata o inciso II do caput do art. 260;
II - não se aplica à pessoa física que:
a) utilizar o desconto simplificado;
b) apresentar declaração em formulário; ou
c) entregar a declaração fora do prazo;
III - só se aplica às doações em espécie; e
IV - não exclui ou reduz outros benefícios ou deduções em vigor.
§ 3o O pagamento da doação deve ser efetuado até a data de vencimento da
primeira quota ou quota única do imposto, observadas instruções específicas da
Secretaria da Receita Federal do Brasil.
§ 4o O não pagamento da doação no prazo estabelecido no § 3o implica a glosa
definitiva desta parcela de dedução, ficando a pessoa física obrigada ao
recolhimento da diferença de imposto devido apurado na Declaração de Ajuste
Anual com os acréscimos legais previstos na legislação.
§ 5o A pessoa física poderá deduzir do imposto apurado na Declaração de Ajuste
Anual as doações feitas, no respectivo ano-calendário, aos fundos controlados
pelos Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente municipais, distrital,
estaduais e nacional concomitantemente com a opção de que trata o caput,
respeitado o limite previsto no inciso II do art. 260.”
“Art. 260-B. A doação de que trata o inciso I do art. 260 poderá ser deduzida:
I - do imposto devido no trimestre, para as pessoas jurídicas que apuram o
imposto trimestralmente; e
II - do imposto devido mensalmente e no ajuste anual, para as pessoas jurídicas
que apuram o imposto anualmente.
Parágrafo único. A doação deverá ser efetuada dentro do período a que se refere
a apuração do imposto.”
“Art. 260-C. As doações de que trata o art. 260 desta Lei podem ser efetuadas em
espécie ou em bens.
Parágrafo único. As doações efetuadas em espécie devem ser depositadas em conta
específica, em instituição financeira pública, vinculadas aos respectivos fundos
de que trata o art. 260.”
“Art. 260-D. Os órgãos responsáveis pela administração das contas dos Fundos dos
Direitos da Criança e do Adolescente nacional, estaduais, distrital e municipais
devem emitir recibo em favor do doador, assinado por pessoa competente e pelo
presidente do Conselho correspondente, especificando:
I - número de ordem;
II - nome, Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e endereço do emitente;
III - nome, CNPJ ou Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do doador;
IV - data da doação e valor efetivamente recebido; e
V - ano-calendário a que se refere a doação.
§ 1o O comprovante de que trata o caput deste artigo pode ser emitido
anualmente, desde que discrimine os valores doados mês a mês.
§ 2o No caso de doação em bens, o comprovante deve conter a identificação dos
bens, mediante descrição em campo próprio ou em relação anexa ao comprovante,
informando também se houve avaliação, o nome, CPF ou CNPJ e endereço dos
avaliadores.”
“Art. 260-E. Na hipótese da doação em bens, o doador deverá:
I - comprovar a propriedade dos bens, mediante documentação hábil;
II - baixar os bens doados na declaração de bens e direitos, quando se tratar de
pessoa física, e na escrituração, no caso de pessoa jurídica; e
III - considerar como valor dos bens doados:
a) para as pessoas físicas, o valor constante da última declaração do imposto de
renda, desde que não exceda o valor de mercado;
b) para as pessoas jurídicas, o valor contábil dos bens.
Parágrafo único. O preço obtido em caso de leilão não será considerado na
determinação do valor dos bens doados, exceto se o leilão for determinado por
autoridade judiciária.”
“Art. 260-F. Os documentos a que se referem os arts. 260-D e 260-E devem ser
mantidos pelo contribuinte por um prazo de 5 (cinco) anos para fins de
comprovação da dedução perante a Receita Federal do Brasil.”
“Art. 260-G. Os órgãos responsáveis pela administração das contas dos Fundos dos
Direitos da Criança e do Adolescente nacional, estaduais, distrital e municipais
devem:
I - manter conta bancária específica destinada exclusivamente a gerir os
recursos do Fundo;
II - manter controle das doações recebidas; e
III - informar anualmente à Secretaria da Receita Federal do Brasil as doações
recebidas mês a mês, identificando os seguintes dados por doador:
a) nome, CNPJ ou CPF;
b) valor doado, especificando se a doação foi em espécie ou em bens.”
“Art. 260-H. Em caso de descumprimento das obrigações previstas no art. 260-G, a
Secretaria da Receita Federal do Brasil dará conhecimento do fato ao Ministério
Público.”
“Art. 260-I. Os Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional,
estaduais, distrital e municipais divulgarão amplamente à comunidade:
I - o calendário de suas reuniões;
II - as ações prioritárias para aplicação das políticas de atendimento à criança
e ao adolescente;
III - os requisitos para a apresentação de projetos a serem beneficiados com
recursos dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional,
estaduais, distrital ou municipais;
IV - a relação dos projetos aprovados em cada ano-calendário e o valor dos
recursos previstos para implementação das ações, por projeto;
V - o total dos recursos recebidos e a respectiva destinação, por projeto
atendido, inclusive com cadastramento na base de dados do Sistema de Informações
sobre a Infância e a Adolescência; e
VI - a avaliação dos resultados dos projetos beneficiados com recursos dos
Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, estaduais, distrital e
municipais.”
“Art. 260-J. O Ministério Público determinará, em cada Comarca, a forma de
fiscalização da aplicação dos incentivos fiscais referidos no art. 260 desta
Lei.
Parágrafo único. O descumprimento do disposto nos arts. 260-G e 260-I sujeitará
os infratores a responder por ação judicial proposta pelo Ministério Público,
que poderá atuar de ofício, a requerimento ou representação de qualquer
cidadão.”
“Art. 260-K. A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República
(SDH/PR) encaminhará à Secretaria da Receita Federal do Brasil, até 31 de
outubro de cada ano, arquivo eletrônico contendo a relação atualizada dos Fundos
dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, distrital, estaduais e
municipais, com a indicação dos respectivos números de inscrição no CNPJ e das
contas bancárias específicas mantidas em instituições financeiras públicas,
destinadas exclusivamente a gerir os recursos dos Fundos.”
“Art. 260-L. A Secretaria da Receita Federal do Brasil expedirá as instruções
necessárias à aplicação do disposto nos arts. 260 a 260-K.”
Art. 88. O parágrafo único do art. 3o da Lei no 12.213, de 20 de janeiro de
2010, passa a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 3o
..........................................................................
Parágrafo único. A dedução a que se refere o caput deste artigo não poderá
ultrapassar 1% (um por cento) do imposto devido.” (NR)
Art. 89. (VETADO).
Art. 90. Esta Lei entra em vigor após decorridos 90 (noventa) dias de sua
publicação oficial.
Brasília, 18 de janeiro de 2012; 191o da Independência e 124o da República.
DILMA ROUSSEFF
José Eduardo Cardozo
Guido Mantega
Alexandre Rocha Santos Padilha
Miriam Belchior
Maria do Rosário Nunes